sábado, 12 de março de 2011

As metas da educação no Rio de Janeiro

Realmente fiquei estarrecido quando soube das metas impostas pelo nosso secretário estadual de educação, Wilson Risolia, em que para dar uma satisfação sobre a penúltima colocação do estado do Rio de Janeiro no nível educacional em todo o país, eles estabeleceram como meta que em dois anos o Rio ocuparia a quarta posição. Minha pergunta é: Como? Apenas alguém que não entende nada de Educação se proporia a fazer uma promessa dessas (Nada pessoal, mas pelo seu curriculo não vi nada que indique espécie alguma de formação pedagógica ou que tenha entrado numa sala de aula de nível fundamental ou médio). Estabelecer uma meta assim não é um trabalho em que se possa colher os frutos em um ou dois anos, mas de 10 a 15 anos. É um trabalho em que não somente o Estado deve estar disposto a investir, mas a equipe de professores e principalmente os alunos devem estar motivados a levar o projeto em frente. Conheço muitos professores da rede estadual de educação, e durante minha graduação fiz todos os meus estágios em escolas estaduais, e o que se vê ali tem que melhorar muito para poder ser definido pela palavra trágico. Os professores que são responsáveis pela principal fonte de renda de suas famílias (os chefes de família) precisam se submeter a jornadas de trabalho massacrantes que envolvem em torno de 60 horas-aula ou mais (o que acaba passando de 50 horas de trabalho por semana) mais o trabalho de preparar aula para todas essas turmas, em que o programa varia de escola para escola ou mesmo em cursos preparatórios (aonde está a melhor fonte de renda para professores). Sujeitamo-nos a trabalhar em todo o tipo de escola contando que será honrado o compromisso de que seremos pagos no início do mês seguinte (no meu caso cheguei a trabalhar num curso durante o período de setembro a novembro de 2009 e fui receber meu primeiro pagamento em fevereiro de 2010 e não recebi tudo) estando à mercê de algumas escolas que nos dão verdadeiros golpes e a um sindicato omisso que não tem força nenhuma para mudar a nossa situação. Avaliando por essa ótica, realmente acha possível que uma equipe que está desgastada de se matar de tanto trabalhar, e muitas vezes em condições extremamente precárias devido a doenças ocupacionais ou sobrecarregados com a grande quantidade de trabalho consiga reverter o quadro da formação acadêmica de alunos que não estão motivados a aprender, não vêem o menor sentido em adquirir o conhecimento, pois eles apenas julgam que não serve para nada ou apenas é uma exigência que lhes é feita pois muitas empresas agora não contratam empregados que não tenham o ensino médio completo (até gari tem que ter diploma), e os exemplos de pessoas bem sucedidas que eles vêm são as pessoas que não têm formação acadêmica alguma, como a grande maioria dos jogadores de futebol ou artistas. Mesmo que mudem as condições de trabalho ou salários dos professores, não há salário ou ferramenta didática que funcione se o aluno não tem vontade de aprender. Sinceramente espero que se dêem conta da besteira que fizeram e consertem isso o quanto antes, caso não, posso ficar tranquilo porque quando eu vier a sair do Rio de Janeiro uma turma composta em sua maioria por índios será de alunos melhores que a média dos alunos cariocas.

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