Saudações a todos;
Aqui no Rio de Janeiro vivemos uma situação caótica em que nosso estado possui o segundo pior aproveitamento em termos de educação de todo o país, e num país que ocupa a 88ª posição no mundo, superando somente países devastados por guerras e miséria (alguns ainda estão na frente do Brasil), isso é muito ruim. E para piorar nossos professores da rede estadual de educação entraram em greve. Sim, e daí? é um direito de todo trabalhador entrar em greve para poder reivindicar nossos direitos. Correto. Mas a greve só tem sentido se o estado (ou aqueles que gerem o estado) tiver a perder com isso, e nesse caso o único que tem a perder é o aluno.
A situação do aluno já é ruim porque ele não tem estímulo para aprender, já que grande parte das pessoas em destaque na mídia são indivíduos fúteis e que não tem nada para acrescentar a ninguém, e sem o estímulo ele perde interesse. Uma vez sem interesse não importa qual didática o professor tenha, se ele não conseguir despertar no aluno a vontade de aprender, ele estará fadado ao fracasso a partir do primeiro instante de aula.
Analizando que vivemos numa sociedade que venera a mediocridade, em que os valores morais estejam tão distorcidos não é de surpreender que tenhamos tantos problemas não só na área de educação, mas na saúde, segurança e em muitas outras. Se um cidadão não conhece seus direitos, se ele não entende seus direitos, então ele não pode reivindicá-los, não pode questionar as posturas das autoridades com relação a vários assuntos, como a aprovação automática que prometeram que iria acabar mas ainda está em vigor, ou talvez com relação aos impostos altíssimos que precisamos pagar: IPVA, IPTU e outros.
Um cidadão que não tem consciência da força que tem, não se questiona porque tem que pagar seguros além de impostos (esses impostos não serviriam para garantir a manutenção desses bens e das autoridades que zelam por eles?). É investida uma fortuna em escolas públicas (ao menos em teoria, uma vez que há esquemas de corrupção como a máfia das merendeiras).
Mas por que entrar nesses assuntos e me desviar tanto do título do post? Muito simples, porque o aluno de hoje que tem toda a sua formação acadêmica comprometida se torna o cidadão inconsciente de amanhã, e que não vai poder virar o jogo, e pôr fim a todos esses absurdos, porque para fazer isso, ele tem que ter consciência do que está certo ou errado e do que pode fazer.
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
sábado, 12 de março de 2011
As metas da educação no Rio de Janeiro
Realmente fiquei estarrecido quando soube das metas impostas pelo nosso secretário estadual de educação, Wilson Risolia, em que para dar uma satisfação sobre a penúltima colocação do estado do Rio de Janeiro no nível educacional em todo o país, eles estabeleceram como meta que em dois anos o Rio ocuparia a quarta posição. Minha pergunta é: Como? Apenas alguém que não entende nada de Educação se proporia a fazer uma promessa dessas (Nada pessoal, mas pelo seu curriculo não vi nada que indique espécie alguma de formação pedagógica ou que tenha entrado numa sala de aula de nível fundamental ou médio). Estabelecer uma meta assim não é um trabalho em que se possa colher os frutos em um ou dois anos, mas de 10 a 15 anos. É um trabalho em que não somente o Estado deve estar disposto a investir, mas a equipe de professores e principalmente os alunos devem estar motivados a levar o projeto em frente. Conheço muitos professores da rede estadual de educação, e durante minha graduação fiz todos os meus estágios em escolas estaduais, e o que se vê ali tem que melhorar muito para poder ser definido pela palavra trágico. Os professores que são responsáveis pela principal fonte de renda de suas famílias (os chefes de família) precisam se submeter a jornadas de trabalho massacrantes que envolvem em torno de 60 horas-aula ou mais (o que acaba passando de 50 horas de trabalho por semana) mais o trabalho de preparar aula para todas essas turmas, em que o programa varia de escola para escola ou mesmo em cursos preparatórios (aonde está a melhor fonte de renda para professores). Sujeitamo-nos a trabalhar em todo o tipo de escola contando que será honrado o compromisso de que seremos pagos no início do mês seguinte (no meu caso cheguei a trabalhar num curso durante o período de setembro a novembro de 2009 e fui receber meu primeiro pagamento em fevereiro de 2010 e não recebi tudo) estando à mercê de algumas escolas que nos dão verdadeiros golpes e a um sindicato omisso que não tem força nenhuma para mudar a nossa situação. Avaliando por essa ótica, realmente acha possível que uma equipe que está desgastada de se matar de tanto trabalhar, e muitas vezes em condições extremamente precárias devido a doenças ocupacionais ou sobrecarregados com a grande quantidade de trabalho consiga reverter o quadro da formação acadêmica de alunos que não estão motivados a aprender, não vêem o menor sentido em adquirir o conhecimento, pois eles apenas julgam que não serve para nada ou apenas é uma exigência que lhes é feita pois muitas empresas agora não contratam empregados que não tenham o ensino médio completo (até gari tem que ter diploma), e os exemplos de pessoas bem sucedidas que eles vêm são as pessoas que não têm formação acadêmica alguma, como a grande maioria dos jogadores de futebol ou artistas. Mesmo que mudem as condições de trabalho ou salários dos professores, não há salário ou ferramenta didática que funcione se o aluno não tem vontade de aprender. Sinceramente espero que se dêem conta da besteira que fizeram e consertem isso o quanto antes, caso não, posso ficar tranquilo porque quando eu vier a sair do Rio de Janeiro uma turma composta em sua maioria por índios será de alunos melhores que a média dos alunos cariocas.
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Projeto Lego Mindstorms
Recentemente fui incumbido de dar aulas de Lego na rede de ensino na qual trabalho. Mas que diabos é isso?
O projeto Lego Mindstorms apresenta uma inciação à robótica aonde os alunos cuja série pode variar desde o 6º ano do fundamental ao 3º ano do ensino médio. O mesmo kit é utilizado por grupos que podem ter de um a quatro componentes aonde eles vão montar os robôs ou máquinas (chamamos de projetos), e farão a programação das funções dele via um software criado justamente para isso. Além do kit que fica disponível na escola, são dados aos alunos umas revistas com exemplos de montagens e alguns robôs simulam funcionamento de uma caixa toráxica, uma empilhadeira, possuem sensores para contato, som, luz e obstáculos. Incrívelmente fascinante e didático. Uma pena que o kit seja tão caro e obviamente não pode ser financidado um conjunto de kits para turmas com mais de vinte alunos em qualquer escola (segundo minhas fontes cada caixa que seria utilizada por 4 alunos custa em média de R$2000,00) e muitas peças são fáceis de serem perdidas.
Posto abaixo alguns links para exibição de algumas imagens de projetos montados e o link para o site oficial da empresa.
http://www.google.com.br/images?q=lego+mindstorms&oe=utf-8&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&source=univ&sa=X&ei=YbdpTarxKYa0lQeM_PD-AQ&ved=0CFoQsAQ&biw=1280&bih=530
http://mindstorms.lego.com/en-us/Default.aspx
O projeto Lego Mindstorms apresenta uma inciação à robótica aonde os alunos cuja série pode variar desde o 6º ano do fundamental ao 3º ano do ensino médio. O mesmo kit é utilizado por grupos que podem ter de um a quatro componentes aonde eles vão montar os robôs ou máquinas (chamamos de projetos), e farão a programação das funções dele via um software criado justamente para isso. Além do kit que fica disponível na escola, são dados aos alunos umas revistas com exemplos de montagens e alguns robôs simulam funcionamento de uma caixa toráxica, uma empilhadeira, possuem sensores para contato, som, luz e obstáculos. Incrívelmente fascinante e didático. Uma pena que o kit seja tão caro e obviamente não pode ser financidado um conjunto de kits para turmas com mais de vinte alunos em qualquer escola (segundo minhas fontes cada caixa que seria utilizada por 4 alunos custa em média de R$2000,00) e muitas peças são fáceis de serem perdidas.
Posto abaixo alguns links para exibição de algumas imagens de projetos montados e o link para o site oficial da empresa.
http://www.google.com.br/images?q=lego+mindstorms&oe=utf-8&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&source=univ&sa=X&ei=YbdpTarxKYa0lQeM_PD-AQ&ved=0CFoQsAQ&biw=1280&bih=530
http://mindstorms.lego.com/en-us/Default.aspx
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Nem tudo na vida de professor é desgraça
Bom, aqui estou eu de novo, mas apesar do que tenho feito nos posts anteriores, em que só relatei minhas desventuras na minha vida como professor/monitor, nesse post vou narrar um evento que realmente faz minha profissão valer o esforço.
"Lá estava eu em campo grande, assistindo meu último dia de estágio, organizando toda a papelada, e um aluno procura a minha orientadora de estágio para tirar algumas dúvidas, e como a turma já estava aguardando ela, me ofereci para tirar as dúvidas desse aluno. Eis que começo a explicar a parte de eletrização, e a citar os tipos de eletrização, por contato, atrito e por indução. Em seguida eu fiz um truque que aprendi lá no Elite, e minha orientadora fica me sacaneando dizendo que não consigo fazer isso numa parede limpa, atritei uma caneta na parede e ela ficou presa na mesma. O aluno me olhou espantado, e me perguntou como fiz aquilo. Apenas expliquei que ao atritar a caneta na parede, eu removi elétrons dela, que ficaram retidos na parede, e assim houve uma força de atração que mantia a caneta presa à parede. E então vi os olhos de um adulto brilharem como os de uma criança que vê uma mágica pela primeira vez. Em seguida fiquei explicando a ele a matéria e fazendo uns exercícios com ele".
Eis que percebo na pele que não importa a didática que eu use, os exercícios, o livro, o linguajar. Só conseguirei ensinar ao aluno que realmente estiver disposto a aprender.
"Lá estava eu em campo grande, assistindo meu último dia de estágio, organizando toda a papelada, e um aluno procura a minha orientadora de estágio para tirar algumas dúvidas, e como a turma já estava aguardando ela, me ofereci para tirar as dúvidas desse aluno. Eis que começo a explicar a parte de eletrização, e a citar os tipos de eletrização, por contato, atrito e por indução. Em seguida eu fiz um truque que aprendi lá no Elite, e minha orientadora fica me sacaneando dizendo que não consigo fazer isso numa parede limpa, atritei uma caneta na parede e ela ficou presa na mesma. O aluno me olhou espantado, e me perguntou como fiz aquilo. Apenas expliquei que ao atritar a caneta na parede, eu removi elétrons dela, que ficaram retidos na parede, e assim houve uma força de atração que mantia a caneta presa à parede. E então vi os olhos de um adulto brilharem como os de uma criança que vê uma mágica pela primeira vez. Em seguida fiquei explicando a ele a matéria e fazendo uns exercícios com ele".
Eis que percebo na pele que não importa a didática que eu use, os exercícios, o livro, o linguajar. Só conseguirei ensinar ao aluno que realmente estiver disposto a aprender.
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Educação
terça-feira, 1 de junho de 2010
Educação entregue às traças
Hoje foi com muito pesar que saí de meu estágio, realmente cogitando a idéia de chutar o balde. Nas turmas em que estagio numa escola do estado estamos há 3 aulas fazendo o mesmo problema, mas com alguns dados diferentes, mas sempre o mesmo problema. No primeiro ano, estamos há 3 aulas fazendo problemas de calor sensível, em que damos a massa, o calor específico e as temperaturas final e inicial da substância, pedindo para que determinem a quantidade de calor liberado ou absorvido para realizar tal processo. No terceiro ano estamos chegando ao final do segundo bimestre, e a turma está em Lei de Coulomb, tendo visto somente as definições mais básicas de carga elétrica e eletrizações. Basicamente o problema do terceiro ano se resume a determinar a força de repulsão ou atração com duas cargas e a distância entre elas. Há 3 semanas é o mesmo problema. Tentando fugir um pouco, fui tentar retirar seus neurônios desse estado de letargia terminal, pra quê? Queriam reclamar na direção e tudo porque estou pegando pesado, que a professora estava querendo me usar pra reprovar os alunos! Chega a ser inacreditável. Dá vontade de pedir para que o aluno leia o caderno dele das três últimas aulas e perguntar se ele não se sente burro, ou pelo menos insultado por estar fazendo o mesmo problema há 3 aulas. Atualmente, tem escolas em que a única diferença entre alguns alunos e micos de circo é que o mico de circo consegue aprender mais de um truque. Não é à toa que consideram a educação fundamental brasileira como a nona pior da América Latina.
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Educação
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Pérola da semana: Que gelo é esse?!
O aluno ao invés de falar gelo fundente diz: Gelo Fumegante ao tirar dúvidas de uma questão de física.
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Educação
terça-feira, 23 de março de 2010
A Educação Brasileira
É com bastante pesar que venho a fazer essa postagem, mas ainda assim ela se faz necessária, mesmo que meu blog não seja nem de longe o melhor meio de comunicação para divulgar o que pensa um professor em todos os aspectos, menos no título (ao menos por enquanto). Foi possível acompanhar em comunidades via orkut a fundo o quanto a categoria do professor está dividida, e o quanto cada um de nós pode cair dependendo de suas circunstâncias e escolhas em determinados momentos.
Semana passada houve um fatídico caso numa escola municipal da Ilha do Governador em que um professor muito malvado jogou um apagador numa aluna, ou foi assim que a mídia fez questão de divulgar. A postura do professor foi totalmente errada, mas exonerar um profissional, que poderia muito bem ser um chefe de família é a solução? Qual é a causa do nosso problema?
Os nossos jovens atualmente são muito beneficiados com os direitos adquiridos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm (veja o link ao lado para ler o estatuto da criança), que prevê a eles toda uma série de direitos, mas que infelizmente assume que toda a criança é pura e inocente, mas devido a incidentes que têm ocorrido nos últimos anos, a coisa toda não é bem assim.
O caso do menino João Hélio, em que um garoto de 8 anos foi arrastado por um carro, preso a um cinto de segurança, por aproximadamente 7 bairros. Um dos bárbaros que fizeram essa atrocidade com uma criança cujo erro era estar no carro com a mãe e não ter conseguido se solta do cinto era menor, veja o caso nesse link: http://odia.terra.com.br/rio/htm/entenda_o_caso_joao_helio_149430.asp Porque os dois maiores de idade pegaram uma pena de mais de 40 anos e o menor que estava junto que parecia saber muito bem o que estava fazendo recebeu uma punição socio-educativa?
Esse é um exemplo gritante da maneira como uma ferramenta que foi criada para proteger uma vítima de abusos aos quais uma criança poderia ser facilmente submetida, mais de uma vez ouvi que meu pai começou a trabalhar aos 7 anos para ajudar em casa depois que minha avó deixou meu avô devido à violência doméstica, para se tornar um instrumento de opressão, já que ao que parece, o menor agora ficou acima da lei que vale para todos, ou ao menos deveria valer e garantir direitos iguais a todos os cidadãos.
A rede pública de ensino, ao menos a que tem o dever de garantir o acesso a todos os jovens conforme o direito que lhes é garantido em lei, vai de mau a pior, por vários motivos: salários indignos, péssimas condições de trabalho, em que muitos jovens se valem da imunidade a punições em virtude do ECA, porque não podem ser expostos a situações vexatórias e tals, porque vivem sob as metas de que têm de aprovar um número mínimo de alunos, para assim garantir uma comissão no final do ano (quando foi que passamos a vender aprovações?) para atender às exigências do Banco Mundial, pois em sua proposta para a educação eles querem que países em desenvolvimento formem cada vez mais mão de obra qualificada para que assim haja mão de obra qualificada disponível no mercado. Só que nem isso estamos conseguindo porque os alunos estão sendo empurrados adiante, preparados ou não, para podermos bater essas metas e receber os investimentos do BM.
Na rede particular a situação é quase tão ruim quanto, porque muitas vezes possui muitos alunos inadimplentes (isso, dão calote no estabelecimento) e como toda criança tem direito à educação e não pode ser exposta à situação vexatória então o aluno continua a assistir às aulas, e ainda pode pedir a documentação para continuar seus estudos em outra escola, mesmo sem ter pago sequer uma única mensalidade. E se não entra dinheiro na escola, quem sofre com isso? Os profissionais da educação, que não recebem salário, ou o recebem com grandes atrasos e quando indagamos sobre isso, alguns diretores têm a cara de pau de dizer que tiveram que pagar ao porteiro, à funcionária da secretaria e ao zelador, porque diferente do professor, eles só têm aquele empego, já o professor trabalha num monte de lugares.
No link http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022005000200003&script=sci_arttext&tlng=pt é possível ler um estudo que foi feito pelas doenças ocupacionais adquiridas por profissionais da educação, assim como dizem a carência desses mesmos profissionais em cada segmento da rede de educação, só de física são necessários mais de 23000 professores para o ensino médio, e de todos os profissionais da educação sob licença médica entre 2001 e 2002, os professores são 84% de toda essa quantidade alarmante.
Quando criei esse blog a proposta dele era contar um pouco sobre livros, mesas de RPG, filmes em geral. O cripta vem como uma homenagem ao programa de televisão A Cripta do Terror, e o professor é por causa do apelido que tenho entre os amigos de longuíssima data. Mas esse post é o primeiro que realmente fez juz ao nome do Blog.
Semana passada houve um fatídico caso numa escola municipal da Ilha do Governador em que um professor muito malvado jogou um apagador numa aluna, ou foi assim que a mídia fez questão de divulgar. A postura do professor foi totalmente errada, mas exonerar um profissional, que poderia muito bem ser um chefe de família é a solução? Qual é a causa do nosso problema?
Os nossos jovens atualmente são muito beneficiados com os direitos adquiridos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm (veja o link ao lado para ler o estatuto da criança), que prevê a eles toda uma série de direitos, mas que infelizmente assume que toda a criança é pura e inocente, mas devido a incidentes que têm ocorrido nos últimos anos, a coisa toda não é bem assim.
O caso do menino João Hélio, em que um garoto de 8 anos foi arrastado por um carro, preso a um cinto de segurança, por aproximadamente 7 bairros. Um dos bárbaros que fizeram essa atrocidade com uma criança cujo erro era estar no carro com a mãe e não ter conseguido se solta do cinto era menor, veja o caso nesse link: http://odia.terra.com.br/rio/htm/entenda_o_caso_joao_helio_149430.asp Porque os dois maiores de idade pegaram uma pena de mais de 40 anos e o menor que estava junto que parecia saber muito bem o que estava fazendo recebeu uma punição socio-educativa?
Esse é um exemplo gritante da maneira como uma ferramenta que foi criada para proteger uma vítima de abusos aos quais uma criança poderia ser facilmente submetida, mais de uma vez ouvi que meu pai começou a trabalhar aos 7 anos para ajudar em casa depois que minha avó deixou meu avô devido à violência doméstica, para se tornar um instrumento de opressão, já que ao que parece, o menor agora ficou acima da lei que vale para todos, ou ao menos deveria valer e garantir direitos iguais a todos os cidadãos.
A rede pública de ensino, ao menos a que tem o dever de garantir o acesso a todos os jovens conforme o direito que lhes é garantido em lei, vai de mau a pior, por vários motivos: salários indignos, péssimas condições de trabalho, em que muitos jovens se valem da imunidade a punições em virtude do ECA, porque não podem ser expostos a situações vexatórias e tals, porque vivem sob as metas de que têm de aprovar um número mínimo de alunos, para assim garantir uma comissão no final do ano (quando foi que passamos a vender aprovações?) para atender às exigências do Banco Mundial, pois em sua proposta para a educação eles querem que países em desenvolvimento formem cada vez mais mão de obra qualificada para que assim haja mão de obra qualificada disponível no mercado. Só que nem isso estamos conseguindo porque os alunos estão sendo empurrados adiante, preparados ou não, para podermos bater essas metas e receber os investimentos do BM.
Na rede particular a situação é quase tão ruim quanto, porque muitas vezes possui muitos alunos inadimplentes (isso, dão calote no estabelecimento) e como toda criança tem direito à educação e não pode ser exposta à situação vexatória então o aluno continua a assistir às aulas, e ainda pode pedir a documentação para continuar seus estudos em outra escola, mesmo sem ter pago sequer uma única mensalidade. E se não entra dinheiro na escola, quem sofre com isso? Os profissionais da educação, que não recebem salário, ou o recebem com grandes atrasos e quando indagamos sobre isso, alguns diretores têm a cara de pau de dizer que tiveram que pagar ao porteiro, à funcionária da secretaria e ao zelador, porque diferente do professor, eles só têm aquele empego, já o professor trabalha num monte de lugares.
No link http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022005000200003&script=sci_arttext&tlng=pt é possível ler um estudo que foi feito pelas doenças ocupacionais adquiridas por profissionais da educação, assim como dizem a carência desses mesmos profissionais em cada segmento da rede de educação, só de física são necessários mais de 23000 professores para o ensino médio, e de todos os profissionais da educação sob licença médica entre 2001 e 2002, os professores são 84% de toda essa quantidade alarmante.
Quando criei esse blog a proposta dele era contar um pouco sobre livros, mesas de RPG, filmes em geral. O cripta vem como uma homenagem ao programa de televisão A Cripta do Terror, e o professor é por causa do apelido que tenho entre os amigos de longuíssima data. Mas esse post é o primeiro que realmente fez juz ao nome do Blog.
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